4 de dez de 2012

"Até breve"

Chovia
Fraco, mas molhava
A tarde
Lembro sem muita clareza de detalhes
Mas lembro que as horas do dia todo
demoraram dias para passar
Mais dias até chegar em casa
E depois, mais dias do trajeto de ônibus
até aquele prédio branco
Lembro da ansiedade da espera
Que embora tirasse de mim a mais profunda agonia
Me acalmava
De alguma maneira que não sei explicar
Acho que por saber que lá estaria aquele olhar
Me esperando para brilhar ao me ver
Como sempre foi, desde que conheci aqueles olhos
Os mais confortantes olhos
Os que mais passavam calmaria
De mar tranquilo
Segurança, paz
Lembro da água gelada que tomei
E das três vezes que repeti o mesmo ato
Sem sede
Queria mesmo era desmanchar o nó na garganta
Queria chegar lá e poder só sorrir
Finalmente o nome chamado
Lembro pouco do corredor
O caminho estava tão longo
Não enxergava pessoas na minha frente
Até que lá, em meio ao branco, o olhar
O mais doce que já vi nessa vida
O sorriso
A mão me chamando para o carinho
O beijo na mão - A benção!
"Deus te abençoe!"

A despedida não foi despedida
Soou com um "te espero em casa"
Pensei que seriam alguns dias...

Não deu tempo de comer as coisas gostosas do Natal
Como brincou dizendo que queria comer
Ao invés da comida insossa dali

Todo o tempo do mundo é pouco
Quando você pensa que poderia ter passado mais tempo junto...

A despedida, que não foi despedida
Ficou então como um "até breve"

Precisei aprender a crer nisso nesses quatro anos
É confortante para a dor que a saudade causa
E todo o vazio que ficou
Sem aquele olhar azul